Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

Lição 6 – A crise económica e social tem origem na crise de valores.

Este será o último texto prévio da série que denominei “Lição #”, a qual resume, grosso modo, as lições por mim recebidas desde o dia 31 de Janeiro passado, dia em que comecei a entrever a improbabilidade de vir a fazer parte de uma outra iniciativa que se afirmava, também, como promotora da democracia directa para Portugal.

glaucoetica

Julgo que o texto de minha autoria que publico a seguir – e que ficará realmente público pela 1.ª vez, dado que o blogue onde foi colocado originalmente continua “aberto apenas a leitores convidados” (http://movimentoparaademocraciadirecta.blogspot.com/) – explicita com clareza algumas das razões pelas quais me seria impossível fazer parte de tal iniciativa. Por isso, sem mais considerações Vos convido a lê-lo.

A neutralidade ética é uma impossibilidade.

Caríssimos:

A neutralidade ética é uma impossibilidade. O vocábulo ética tem origem na palavra grega “ethiké”, que significa modo ou forma de ser, “compreendendo as disposições do homem na vida, o seu carácter, costumes…”. “O tema nuclear da Ética são os actos do ser humano, enquanto ser possuidor de razão.” (A.R.Gomes, Lexicon – vocabulário de Filosofia). Como se vê, nenhum ser humano racional pode existir e agir sem ser ético.

Já percebi, no entanto, que, apesar do seu óbvio, a questão não vai ser pacífica. Custa-me a entender que alguém possa ter alguma coisa contra o estabelecimento de princípios éticos gerais, mas ninguém negará, pelo menos, a necessidade do estabelecimento de um conjunto princípios deontológicos, entendida a Deontologia como “o conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um grupo…” (cf. Psicologia.com.pt) – neste caso, não profissional mas com actividade comum ou concordante (oxalá o seja!).

Um dos mais graves erros da chamada Modernidade é, exactamente, o do relativismo “conveniente”. Isso não se pode confundir com tolerância, embora seja feito em nome da dita. Que ninguém se iluda: as pessoas não deixaram, subitamente, de perceber (e distinguir) o que é “bom” e o que é “mau”, mas convém agora, a alguns, fazer passar, aos muitos, o mau por bom, o desviante por normal, o destrutivo por construtivo. Um exemplo muito simples. Se alguém vier a este fórum usando termos ofensivos e atentatórios da dignidade dos restantes, isso será considerado “mau” e, como tal, inaceitável. Será ou não?

Outro erro enorme é o de conotar, ou associar, determinados valores ou princípios com determinadas escolhas ideológicas. Desde quando é que os valores Vida ou Dignidade passaram a ser de “direita” ou de “esquerda”? Por favor, entendam que não se quer aqui falar do aborto, não se quer discutir a sua legalidade ou falta da mesma. A ética e a lei são coisas distintas, embora por vezes se confundam – mas isso seria já uma outra dissertação (ver art.ºs 24.º,25.º e 26.º da Constituição da República Portuguesa).

Por vezes, a compreensão de um conceito ou de uma ideia vem pela negativa, isto é, pela compreensão do que não é. Experimente-se se assim pode acontecer no caso presente. Vejamos o que a ética, não é (cf. SINGER, Peter – Ética Prática. Lisboa: Gradiva, 2000):
1. não é “um conjunto de proibições particularmente respeitantes ao sexo” — “o sexo não levanta nenhuma questão ética específica”, embora possa “envolver considerações sobre a honestidade, o respeito pelos outros, a prudência, etc.” (p. 18);
2. não é “um sistema ideal nobre na teoria, mas inútil na prática” — “a finalidade do juízo ético é orientar a prática” (p. 18);
3. não é “algo que apenas se torne inteligível no contexto da religião” (p. 19) — podemos encontrar “a origem da ética nas atitudes de benevolência e solidariedade para com os outros que a maioria das pessoas possui” (p. 20);
4. não é “relativa ou subjectiva” (p. 20).

Por último, mas não menos importante, é preciso compreender que o acto de erigir um edifício, qualquer edifício – material, teórico, empresarial, … – tem que obedecer a determinadas regras perenes e axiomáticas, sob pena de ruir. A primeira regra diz que todo o edifício tem que assentar em base sólida, usualmente designada por fundação ou fundamento. A fundação fica, o mais das vezes invisível, mas esse facto não a torna menos importante. A fundação é o “firme” que torna sólido todo o edifício. A fundação é, também, o limite, a fronteira de todo o restante edificado. O limite é importantíssimo, pois sem ele não é possível distinguir o que está dentro (faz parte) e o que está fora (não faz parte).

Edificar sobre a rocha (Lc 6,47-49) – 24«Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. 26Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.» (Mateus 7, cf. Bíblia Sagrada na Internet, ed. P. P. Frades M. Capuchinhos)

Concluindo: Em face de todas as limitações e argumentações contrárias que estão a ser defendidas relativamente a esta matéria, faz-se aqui proposta de que sejam adoptados apenas três (3) princípios fundamentais para este movimento ou associação. São eles (talvez por esta ordem): PROBITAS, DIGNITAS, LIBERTAS.

Um lema simples, mas poderoso, para que não seja possível esquecer o fundamental neste exercício muito especial de democracia: Honestidade, Dignidade e Liberdade.
Bem-hajam pela Vossa atenção.
(publicada em 05-02-2009)

Pós texto (09-02-2009):
Depois de dormir (várias vezes) sobre o assunto, é proposta a reformulação dos três (3) princípios fundamentais para os seguintes, por esta ordem: DIGNITAS, VERITAS, PROBITAS.
Passa a explicar-se.

O primeiro princípio deve ser o da Dignidade, porque não há boa obra sem Homem bom e o Homem bom é aquele que se respeita a si mesmo. O respeito de si mesmo, a Dignidade, é a condição primeira para o respeito dos outros.

O segundo princípio, o da Verdade, substitui o da Liberdade constante da anterior proposta. A palavra liberdade é actualmente muito mal usada e conotada. É em nome da Liberdade, e com a desculpa da sua salvaguarda, que os governos ocidentais têm vindo, paradoxalmente, a privar os cidadãos da liberdade individual e do direito à privacidade – isto é, todos podem ser livres desde que não saiam do espaço da gaiola imposta. Por outro lado, a Verdade é a condição para a Liberdade verdadeira, nas próprias palavras de Jesus Cristo: “Conhecereis a Verdade e a Verdade Vos libertará”.

O terceiro princípio será o da Honestidade, enquanto passagem à prática ou acção dos anteriores. Honestidade é, por definição, o acto, a qualidade ou a condição de ser integro e honrado.

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Filed under: autor: José, valores

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