Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

A democracia não é um rebuçado.

Quando há mais ou menos quatro meses o José me telefonou para umas quantas elucubrações rebuçadosobre isto (a democracia por cá, a sua qualidade, “nós” e “eles”, o impasse, alternativas, a Democracia Directa …)… ele sabe, a minha primeira reacção foi de “gozo” … género: « …! em que mundo julga, que vive?!»

Essa minha primeira reacção não foi de resistência activa nem de incredulidade. Foi de previdência, de cautela por uma razão primeira:

a Democracia Directa é/será, a mais exigente e responsabilizadora forma de exercício de cidadania (e política) que pode haver além de outras razões mais que, por agora, não vêm ao caso (ficará para outras eventuais núpcias).

Logo nós que somos tão lestos a ficar de dedo em riste acusando terceiros e tão avessos a reconhecer as nossas próprias responsabilidades;

nós que tanto clamamos pelo Estado e o olhamos como um monstro;

nós que verberamos os propósitos e as acções ética e moralmente condenáveis “deles” e somos nós quem os vamos caucionando umas vezes por acção concordante outras por omissão negligente e cobarde;

nós que não nos convencemos que se a água do rio na foz é imunda fomos nós que, a montante, a fomos conspurcando.

A proposta de Democracia Directa é pois uma acção evangelizadora, educativa e, no contexto político português, muito difícil. É difícil porque é uma insurgência, uma rebelião ao âmago da estrutura do regime por consequência é um ataque a uma enorme rede de influências, amizades, favores, recompensas, reconhecimentos mútuos a centenas quiçá, milhares de petits pierrots que se estabeleceram por todo o organigrama institucional e regimental e pelo administrativo. De modo algum será por uns anos largos uma acção em que alguém de boa-fé possa presumir retirar vantagem. [estou por aqui por crer que, aqui, a ideia prevalecente é – ao contrário de outras onde me foi dado assistir a uma forma encapotada, sibilina, rasteira de achar maior protagonismo utilizando os demais como escadotes – a, por mim, enunciada]

O que vinha dizendo é tanto mais verdade que aqui a questão começa logo por uma enorme e aparente contradição que aparece na denominação – Democracia Directa /Visão Cristã. Esta “visão cristã” é redutora, exclusivista ou seja não inclusiva [estou a imaginar os comentários reactivos descuidando a denotação e exagerando por hemiplegia intelectual ou outra a conotação]? Eu próprio me questionei. Não é! A “cristandade”, para o ser, não pode obliterar o ecumenismo porque a essência do cristão é diálogo e entendimento (tudo o mais que a isso se possa acrescentar é outra coisa qualquer a que se pode chamar de cristão mas que, muito provavelmente, será propriedade de instituições – sejam elas quais forem).

Há no entanto limites (e não são poucos). Sucede é que, esses limites, radicam em uma outra série de questões que nada têm a ver com a visão cristã das coisas, mas com as contradições de essas mesmas propostas.

Voltaremos.

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