Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

O mito do cidadão incompetente.(3)

(continuação)


Democracia parlamentar e democracia directa
Os cidadãos e os políticos não têm acesso aos mesmos instrumentos políticos numa democracia totalmente indirecta, nem cumprem os mesmos papéis como numa democracia directa moderna. A relação entre os políticos e os cidadãos é diferente nos dois sistemas. Para os políticos e para os cidadãos, a liberdade de poder agir politicamente e as oportunidades de aprender como se joga o jogo da política, e tornarem-se bons jogadores, são diferentes nos dois sistemas. Exercer a política contribui para moldar a personalidade. Todavia, a democracia parlamentar molda a personalidade dos políticos e dos cidadãos de maneira diferente da democracia directa. Para compreender melhor estas diferenças, a organização política da democracia e a relação entre os políticos e os cidadãos pode ser vista, vantajosamente, em termos das relações entre os que estão instalados e os que estão excluídos.
A dinâmica específica de tais relações tem origem na forma pela qual dois grupos, os instalados e os excluídos, estão de facto inter-relacionados e mutuamente dependentes. As relações entre instalados e excluídos podem ser observadas, não apenas entre os políticos e os cidadãos, mas por todo o lado e em todos os tempos entre grupos categorizados como homens e mulheres, pretos e brancos, naturais e estrangeiros, residentes e recém-chegados.
Ainda que existam muitas diferenças, podem observar-se certas regularidades em todas estas manifestações diferentes. Os grupos instalados procuram sempre monopolizar as oportunidades de poder e de estatuto social que são importantes para eles. Existe uma tendência típica para estigmatizar (e contra-estigmatizar em resposta): isto é, os grupos mais poderosos tendem a entender os excluídos deles dependentes como sendo de menos valor que eles próprios – e a tratá-los em conformidade. Causa e efeito são habitualmente confundidos.
No âmago de cada relacionamento entre instalados e excluídos reside, de acordo com Norbert Elias, um desequilíbrio de poder que resulta em tensões sociais. Este é o factor decisivo que permite a um grupo instalado estigmatizar um grupo excluído. A liberdade de estigmatizar continua enquanto o grupo instalado retenha o monopólio do poder. Assim que o equilíbrio do poder se desloca na direcção dos excluídos,  a liberdade de estigmatizar do grupo instalado começa a perder-se.

(excertos da tradução do cap. 7 do Giduebook to Direct Democracy, edição 2008, Initiative & Referendum Institute Europe)

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Filed under: autor: José, cidadania, democracia, fundamentais, livros, traduções, , ,

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