Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

O jogo viciado das oligarquias partidárias mascaradas de democracias representativas.

Descarregue gratuitamente da Open Library

Em Portugal e na União Europeia.

Há muitas maneiras dos poderes públicos negarem o acesso dos cidadãos a um qualquer direito ou demanda. A mais simples é recusar, estabelecendo legalmente essa recusa. Esta forma é pouco usada em sistemas políticos com eleições livres, por razões óbvias. Sendo este o caso, os poderes públicos costumam usar outras negações mais subtis como, por exemplo, não responder ou adiar ao máximo a resposta aos requerimentos ou pedidos. Os poderes públicos portugueses são peritos neste método mas… correm sempre o risco de um dia, havendo a intervenção de outro poder público – o judicial -, terem mesmo que dar resposta.

A mais pérfida de todas as recusas do direito de participação política de cidadania será, no entanto, a de constituir esse mesmo direito com fórmulas tão complicadas ou condições tão difíceis que lhe tornam na prática impossível o acesso dos cidadãos. Parece ser esta a situação da Iniciativa de Cidadania Europeia, atendendo às queixas do seu mentor de que aqui se dá notícia. É isto, seguramente, o que se passa com a Iniciativa Legislativa de Cidadãos portuguesa.

Estão em curso, actualmente, duas iniciativas legislativas de cidadãos em Portugal. Uma é a ILC Contra o Acordo Ortográfico, que apesar de todos os esforços (e têm sido muitos) não conseguiu ainda reunir o número de subscrições necessárias para dar entrada na Assembleia da República. A outra é a ILC da Lei Contra a Precariedade, que tem a sua validade posta em causa “mais de 4 meses após a sua entrega” porque, segundo informação da própria Assembleia da República, “das mais de 36000 assinaturas entregues, um mínimo de 3,5% não são válidas por motivos não especificados“.

Este terá sido, porventura, o texto mais difícil de escrever desde a criação deste blogue. Não por causa de uma particular complexidade na explanação do assunto ou de qualquer dificuldade técnica, mas por causa da constatação a que obriga: os instrumentos destinados à participação democrática dos cidadãos em Portugal e na União Europeia, e a forma como os poderes instalados os põem em prática destinam-se a impedir essa mesma participação de cidadania. Em palavras simples, a “partidocracia” instalada faz batota e demonstra inequivocamente que não tem, nem nunca teve, a mínima intenção de aceitar qualquer partilha de poder com os eleitores que a legitimam.

Infelizmente. Para os cidadãos, porque são enganados e defraudados, para a democracia, que fica mais pobre, e especialmente para os falsos democratas instalados no poder que teimam em ignorar que a democracia é o único sistema que permite conduzir as permanentes e necessárias mudanças sociais sem recurso à violência. Os tempos são de mudança acelerada e a sociedade irá mudar, de uma forma ou de outra. Se não o puder fazer de uma forma gradual e organizada, através de mecanismos de participação democrática, fá-lo-á de forma abrupta e desorganizada, com todas as suas nefastas consequências. Os sinais são bem visíveis, só não os vê quem é cego. E, os avisos são abundantes.

Os verdadeiros inimigos da democracia não são os Pedros*, os Joaquins, os Orlandos ou quaisquer outros que a refutam mas não estão instalados no poder: são antes as Manuelas e os Ruis que, eleitos pelo próprio sistema democrático, advogam a “suspensão da democracia”.

*Muitas vezes têm aqui sido usados textos do Prof. Pedro Arroja para ilustrar posições anti-democráticas. Gostaria de esclarecer que não se trata de qualquer animosidade pessoal contra o autor, mas apenas uma oposição firme ao modelo político que defende. Aliás, devo mesmo agradecer ao Professor a arguição que continuamente proporciona à tese da democracia semi-directa defendida neste blogue.

Anúncios

Filed under: autor: José, democracia, iniciativa de cidadania europeia, iniciativa legislativa dos cidadãos, , , , , ,

3 Responses

  1. […] comentário a este verbete: O jogo viciado das oligarquias partidárias mascaradas de democracias representativas, […]

  2. […] via O jogo viciado das oligarquias partidárias mascaradas de democracias representativas. « Democracia…. […]

  3. […] partidos deveriam saber que este tipo de governação autista tem os dias contados. Os cidadãos são cada vez mais conscientes das suas prerrogativas e da sua […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Junho 2012
D S T Q Q S S
« Maio   Jul »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Livros

Clique para descarregar

Clique para descarregar (NOVO)

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

clique para descarregar

clique para descarregar

Outros livros

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar (NOVO)

%d bloggers like this: