Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

Deus, as pessoas e a conquista da democracia.

(…) Hoje, enquanto estava com os meus filhos já adolescentes, coloquei na aparelhagem o registo audio do 25 de Abril. São tiros e mais tiros. Salgueiro Maia dando ordem de fogo às auto-metralhadoras. Gritos de pessoas que fogem e relatam os disparos da PIDE. Jornalistas que se abrigam e saem de novo minutos depois, desprotegidos, como funâmbulos sob a mira de uma morte sempre à espreita que a adrenalina impede de sentir. E expliquei-lhes: O 25 de Abril não foi um banho de sangue por obra e Graça de Deus e porque as pessoas saíram à rua. Principalmente porque as pessoas saíram à rua. Tivessem ficado em casa e nada teria mudado. (…)

O meu 25 do Quatro
por João Villalobos
Publicado em 25 de Abril de 2010
no Albergue Espanhol

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A democracia directa e o conceito cristão de comunidade.

O Manuel Rezende decidiu escrever este texto provocativo no Estado Sentido. Muitos dos argumentos que utiliza atingem a própria ideia de democracia, em geral, e não a democracia directa em particular. Argumentos como, a democracia “entrega importantes decisões da nação aos ímpetos da maioria” ou “as decisões referendadas estão dependentes não de quem percebe do assunto” são completamente inaceitáveis actualmente. A esses não responderei porque se situam ao nível da opção entre a democracia e a não-democracia, cuja discussão me parece estar nesta altura completamente ultrapassada.

Contudo, considero que um dos argumentos que usa é suficientemente relevante para merecer uma resposta:

– [a democracia directa]É também o príncipio mais anti-cristão de que há memória.

Nem será bem uma resposta (no sentido de contra-argumentação), mas mais um esclarecimento, até porque já várias outras pessoas me colocaram a dúvida da compatibilidade entre a democracia directa e o cristianismo.

Para começar, a democracia directa é uma forma de democracia participativa, isto é, participada pelos cidadãos. Trata-se de um conceito que está fundamentalmente ancorado na ideia de que a legitimidade das decisões e acções políticas deriva da deliberação pública de colectividades de cidadãos livres e iguais.

Ora, colectividades de cidadãos livres e iguais são, por definição, comunidades. Uma comunidade é um conjunto de pessoas que se organizam sob o mesmo conjunto de normas, geralmente vivem no mesmo local, sob o mesmo governo ou compartilham do mesmo legado cultural e histórico.

Para uma melhor compreensão das relações entre comunidade e democracia (melhor dito, entre a participação cívica de uma comunidade e a qualidade do desempenho de um governo democraticamente eleito) é imprescindível a leitura de PUTNAM, Robert, Comunidade e Democracia : a experiência da Itália moderna, edição da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (1996) e, ainda, Bowling Alone: The Collapse and Reviva! of American Community, New York: Simon Schuster (2000). Dada a dificuldade em obter estes livros (excepto em algumas bibliotecas universitárias) deixo aqui os linques para uma análise do primeiro e um resumo do segundo.

Esclarecida esta questão, pode avançar-se a argumentação à seguinte.

Ser cristão é viver em comunidade. Esta foi a grande novidade trazida por Jesus: a possibilidade da convivência fraterna, do alegre conviver, do amar além dos laços de sangue, da solicitude além dos muros, raças e etnias. Para o ser humano, não basta viver, mas sim conviver. Viver com os outros, viver em comunidade.

Não existe cristianismo sem comunidade, nem cristão isolado, solitário, só. Basta ler o livro de Actos para compreender isto. As comunidades cristãs são verdadeiras comunidades, ao contrário de outras que por aí grassam (p. f. clique na imagem).

Uma comunidade modelo – … 46Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. 47Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.

Ser cristão hoje é dizer não ao que é supérfluo para que todos possam ter o mínimo para viver. A própria economia, o trabalho, a ciência, devem estar a serviço da pessoa e das comunidade. Não é isto a verdadeira democracia?

Filed under: autor: José, cristianismo, democracia, , ,

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