Democracia Directa – Visão Cristã

Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. (ICoríntios 3, 10-11)

A revolta do ‘pronetariado’. / The rise of ‘pronetarians’.

(Read this post in English down bellow.)

O livro para descarregar

O livro para descarregar

“É imprescindível que os pronetários[1] que se preocupam com o respeito pela democracia se reunam e organizem um movimento conjunto para reformar o media system[2]. Este, evidentemente nascido da concentração dos infocapitalistas[3], sente-se ameaçado pela subida dos meios de comunicação social das massas. Será difícil reequilibrar o importante controle exercido pelos grandes grupos de comunicação. Quanto mais [este reequilíbrio] se materializar, mais dura será a luta. O essencial, como dizem McChesney e Nichols, e também Gilmour, é que o público, quer dizer, os pronetários, tome progressivamente consciência que é possível uma outra via. Que podem ser iniciadas acções para mudar o media system. Daí a importância que tem a influência crecente dos blogues, dos jornais cidadãos participativos e de todas as iniciativas de criação colaborativa e de difusão em rede de informação. Parafraseando a célebre fórmula de Karl Liebknecht, «Proletários de todo o mundo, uni-vos!» conviria doravante dizer: Pronetários de todo o mundo, uni-vos.”
J. de Rosnay & C. Revelli, La Révolte du Pronétariat, ed. Fayard, 2006 (p. 27-28, m/ tradução expedita)

[1] Pronetário ou pronetariado (do grego pro, diante de, antes, mas também favorável a, e net, do inglês, que significa rede e também é a designação abreviada de internet) são novas palavras que J. de Rosnay utiliza neste livro para designar “uma nova classe de utilizadores das redes digitais, capazes de produzir, transmitir e vender conteúdos digitais não proprietários apoiando-se nos princípios da «nova economia clássica»”.

[2] Media system é a expressão usada por Robert W. McChesney e John Nichols no livro Our Media, Not Theirs – The Democratic Struggle Against Corporate Media (Seven Stories Press, 2002) para designar o esquema lucrativo actual das grandes empresas de comunicação social que funciona integrando o jornalismo numa «máquina de marketing» baseada na concentração dos media, na propriedade dos conteúdos e na confiança indiscutida nas fontes oficiais suportadas pela esfera política dominante.

[3] Infocapitalista é outra nova palavra que J. de Rosnay utiliza para designar “os detentores dos meios de criação, de produção e de difusão de conteúdos informativos ditos «proprietários» (sob copyrights, direitos de transmissão…) geralmente em formato digital”.

Nota aos editores: Este livro é essencial para compreender a profunda mudança que está a acontecer na comunicação social por todo o mundo e está escrito numa linguagem acessível a qualquer pessoa sem grandes conhecimentos do assunto. Este livro não está traduzido para português e encontra-se sob licença Creative Commons, o que constitui uma excelente oportunidade de publicação para qualquer pequeno editor em Portugal. Fico à disposição para fazer a tradução do livro para português.

***

Pronetarians[1] who are interested in supporting democracy must come together as a group to reform the media system[2], which perceives them as threats mainly because its fabric was woven by the infocapitalists[3]. Balancing the massive influence and control of established mass media seems like a challenge and intense battles lie ahead. The public’s, and hence the pronetarians’, awareness that there are alternatives to the current monopoly of infocapitalists is a key factor in this evolution to come. The public must become aware that deliberate action to evolve towards a more open media system. The role of blogs, grassroots journalism and of collaborative creation online is crucial in this process. To paraphrase the famous call of Karl Liebknecht, it seems that today there is a clear call for action: Pronetarians of all countries unite!”
J. de Rosnay & C. Revelli, La Révolte du Pronétariat, ed. Fayard, 2006 (as in Ch.1, sub. Blogs and…, translation by Alex Pap.)

[1] Pronetarians or Pronetariat (from the Greek pro, in front, before, but also favourable to, and net, the abbreviation for internet) are new words that J. de Rosnay uses to “refer to a new class of users and digital networks who are able to create, produce, broadcast and sell open (or non-proprietary) digital content by applying the principles of the new new economy [new classical economics]”.

[2] Media system is the expression used by R. W. McChesney and J. Nichols on their book Our Media, Not Theirs – The Democratic Struggle Against Corporate Media (Seven
Stories Press, 2002) to name the profit scheme used nowadays by the big corporations that control mass media, putting journalism inside a «marketing machine» that concentrates different media, copyrights information contents, and does not question the official sources, supported by the political dominant sphere.

[3]Infocapitalist is another new word J. de Rosnay uses to designate “the current owners of means of creation, production and distribution of proprietary informational assets that are protected by copyright, licensing schemes…”.

Filed under: cidadania, democracia, livros, traduções, , , , , , , , ,

Cidadania 2.0 – mais participação, mais democracia.

Realizou-se no passado dia 13 de Outubro de 2011, no Fórum Picoas, a 2.ª edição das conferências da iniciativa Cidadania 2.0, com o tema “Discussão e reflexão do uso de ferramentas sociais para o exercício de cidadania”.
Não tendo sido possível, por falta de disponibilidade, divulgar aqui o acontecimento, é imprescindível agora, em jeito de sumário, fazer referência a duas das comunicações do programa, dada a importância das experiências que relataram para o exercício de uma democracia participativa.

Clique para ver a folha completa em LiveSketching

Uma, com o título Vote na Web, foi apresentada pelo publicitário brasileiro Fernando Barreto. O Votenaweb consiste basicamente num sítio onde vão sendo publicados todos os projectos de lei apresentados no Congresso Nacional – que é a assembleia legislativa do Brasil – para que os cidadãos possam deles tomar conhecimento e dar a sua opinião de diversas formas: manifestando a sua concordância ou discordância num voto, comentar no sítio ou enviar um e-mail para o seu autor.

Clique para ver a folha completa em LiveSketching

Outra, sob o título Irekia – Governo Aberto do País Basco, foi apresentada por Alberto Ortiz de Zárate Tercero, director do  serviço Atendimento de Cidadania do Departamento de Justiça e Administração Pública do governo basco. O Irekia é um verdadeiro programa institucional de participação de cidadania no governo. É designado Governo Aberto (Open Government) por que, para além de dar a conhecer e pedir a opinião aos cidadãos sobre as propostas do governo e outros assuntos de interesse comunitário, convida-os também a fazer propostas de sua própria iniciativa. Está suportado na base por dois sítios institucionais: o Open Data Euskadi, uma biblioteca permanentemente actualizada de informações de domínio público que permite mesmo alguma interactividade (veja-se a diferença para o sítio? português correspondente) e o Irekia, um portal amplamente interactivo e multifuncional. Mas, os meios de participação de cidadania postos à disposição pelo governo basco através da internet vão muito para além destes dois sítios. Existe também um grande número de páginas institucionais nas denominadas redes sociais (facebook, twitter e blogues, principalmente) e um programa designado Escuta Activa que pretende, nas sua próprias palavras (traduzidas), “escutar o que diz a cidadania, onde quer que o diga”, “ter olhos e ouvidos em todos os fóruns onde a cidadania possa estar dando a sua opinião, mostrando as suas inquietações e necessidades”.

Não é ainda o exercício legalmente consagrado da democracia directa, mas já permite uma fácil participação dos cidadãos nas escolhas e decisões políticas. Sem pretender estabelecer relações pouco fundadas de causa e efeito com este exercício de democracia alargada, não pode deixar de referir-se o recente anúncio de cessação da luta armada por parte da ETA (iniciais de Euzkadi Ta Askatana, que significa na língua basca Pátria Basca e Liberdade). Há, no entanto, vários exemplos já investigados que permitem a muitos cientistas políticos afirmar que a democracia directa é promotora da paz.

Filed under: autor: José, cidadania, conhecimento, consulta popular, democracia, , , , , , ,

Revisão constitucional na Islândia: Uma magistral lição de democracia participativa.

Escutar os cidadãos, que é exactamente o contrário do que se faz em Portugal.


Na sequência da hecatombe da economia islandesa em 2008, sentiu-se a necessidade de um novo texto fundamental.
Vai daí, em Abril do ano passado foi eleita por voto popular uma comissão constituída por 25 cidadãos, escolhidos entre 522 candidatos com mais de 18 anos, a quem foi entregue a árdua tarefa. O ponto de partida foi um relatório com mais de 700 páginas, onde se sintetizavam 950 entrevistas aos cidadãos que integram o Fórum Nacional, sobre temas tão complexos como a separação de poderes ou as relações exteriores.
Para Thorvaldur Gylfason, membro da comissão constitucional, “em sociedades hiper mediatizadas como as nossas já não é possível produzir uma Lei Fundamental longe do olhar dos cidadãos, apresentando-lhes apenas o produto final”.
Assim sendo, importava saber como seria possível produzir uma lei com esta importância, contando com a participação organizada dos cidadãos.

Num país com apenas 320.000 habitantes e onde mais de 2/3 têm conta no Facebook, utilizar a rede social do momento parecia a solução mais óbvia. Todas as sugestões são previamente analisadas por uma equipa que as submete à comissão constitucional. Uma vez aprovadas pelo “grupo dos 25”, passam a letra de lei, a qual está sempre disponível online e aberta à discussão.
Thorvaldur Gylfason lembra ainda que, caso a nova Constituição tenha de ser referendada, os eleitores estarão, seguramente, muito melhor informados.
A primeira-ministra islandesa, Johanna Sigurdardottir, não poderia estar mais de acordo: “Há muito tempo que penso que uma revisão profunda da Constituição só faz sentido com a participação directa dos islandeses.”

A primeira versão da nova Constituição islandesa deverá estar concluída até ao final da semana, sem bem que a comissão constitucional possa prolongar esta operação durante mais um mês.
Cumprido esse prazo, será enviada para o Parlamento para debate e aprovação.

Islandeses redigem nova Constituição no Facebook
Publicado em 28 de junho de 2011 no Expresso.
(negritos e correcções ortográficas do transcritor)

Outros textos relacionados, publicados aqui anteriormente:

Sobre a democracia directa na Islândia;

Sobre a utilidade das redes sociais para promover acções de cidadania.

Filed under: consulta popular, democracia, revisão constitucional, , , , ,

A revolta popular egípcia e a relevância da internet para a democracia hoje.

A maior parte dos analistas do levantamento popular iniciado no Egipto no passado dia 25 de Janeiro são unânimes em afirmar que a sua génese ocorreu na internet e nas redes sociais aí suportadas. Aliás, se assim não fosse o governo egípcio não teria bloqueado o acesso dos cidadãos à rede – e mesmo às comunicações móveis – durante cinco dias (entre 30 de Janeiro e 3 de Fevereiro de 2011), causando um prejuízo diário estimado em 18 milhões de dólares às operadoras.

Como seria de esperar, a tomada de consciência da enorme capacidade que as redes sociais suportadas pela internet têm para a mobilização de acções de cidadania já está a ter réplicas. E consequências, pois os detentores do poder político estão dispostos a tudo para controlar estes extraordinários instrumentos de cidadania e contra-poder.

Os povos anseiam por democracia participativa e por libertação.

Filed under: acção, autor: José, cidadania, democracia, perigos, política, , , , , ,

Copie e divulgue p.f.

Logo DD-VC

.

Acção imediata - LER e ASSINAR

Junho 2017
D S T Q Q S S
« Set    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Livros

Clique para descarregar

Clique para descarregar (NOVO)

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

clique para descarregar

clique para descarregar

Outros livros

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar

Clique para descarregar (NOVO)